LongFic - She's Not Afraid -Capitulo 2


Capitulo 2 – Ideia.

Eduarda Voice’s

 Chorar, essa era minha vontade nesse momento. Ele queria tocar em um passado que eu lutava para esquecer, um passado que ainda me machucava tanto. Eu não podia acreditar que ele estava aqui, eu havia gostado desse garoto, não era uma paixão, mas eu nunca fora correspondida e por isso me conformei. Sentimentos de novo não. Eu não gostava de lembrar de nada que havia acontecido em minha vida, mas eu não sabia porque tinha uma confiança interna em mim que dizia que eu devia contar a ele.

-Eu precisei –falei com uma voz baixa-
-Seu pai era mesmo um “assassino” ? –ele insistiu em tocar na minha ferida-
-Era –eu disse soltando um longo suspiro- Ele me enganou, ele enganou a todos.
-Por que ele fazia isso?
-Dinheiro, se ele matava, ele ganhava.
-Isso é horrível, mas ninguém nunca mais encontrou nenhum de vocês.
-Eles morreram – falei com uma voz mais frágil –
-Como ? –ele parecia assustado-
-Ele deveria matar sem deixar rastros, mas daquela vez foi diferente. Ele tentou fugir as presas, mas o carro bateu contra um caminhão –eu disse controlando as lagrimas-
-Mas como você está aqui?
-O carro girou na pista, minha porta estava mal fechada, eu voei para fora do carro e fiquei sobre o asfalto. Meus pais e meu irmão morreram –eu disse me lembrando de tudo e sentindo uma dor aguda- Eu fiquei sozinha, eu não tinha família fora eles, eu estou sozinha no mundo.
-Me desculpe –ele disse cabisbaixo-
-Tudo bem, eu precisava tirar isso de dentro de mim. –conversamos mais alguns minutos sobre tudo que se passará nos últimos anos-
-Aceita dar uma volta? –ele me perguntou e eu assenti, fui ao caixa e antes que ele me impedisse paguei a conta- Normalmente são os caras que pagam a conta.
-Normalmente, mas hoje não foi assim –eu disse colocando as mãos no bolso e indo com ele até a praça próxima dali, os enfeites de natal estavam por toda parte, eu amava a época natalina, mas a um certo tempo elas já não tinham graça alguma mais-
-Onde passará o natal ? –ele tentou quebrar o silencio que havia se impregnado entre nós dois-
-Em casa, como sempre –disse sem animo algum-
-Não gosta mais de natal? Há uns anos você amava o natal.
-Eu amava, mas o natal não tem mais a mesma graça de antes.
-Como não? O natal é uma época tão bonita.
-Não quando você passa ele sozinha a mais de 8 anos em uma sala vendo programas hipócritas que te desejam um feliz natal, sendo que na verdade eles nem se importam com isso, só querem ir para casa e aproveitar o natal deles e você que se foda. –eu despejei as palavras-
-Eu não sabia me desculpe –ele disse parecendo arrependido-
-Tudo bem, ninguém sabe. O natal perdeu a graça para mim desde que sai de Holmes Chapel, eu fiquei sozinha, o natal é como um dia qualquer. Eu passo no mercado um dia antes, compro porcarias e vou pra casa, faço plantão enquanto ouço sons de fogos antes mesmo da meia-noite, vejo pessoas que passam o natal como eu, sozinhas, mas porque essas pessoas têm que ficar presas em um hospital e família nem se importa. Gostaria de dar um natal melhor a elas, mas nem para mim consigo. No começo eu até deseja um natal melhor, desejava ter alguém para me abraçar e passar o natal comigo, hoje isso parece não fazer diferença, me acostumei –novamente despejei palavras e não sabia por que, mas aquilo estava me fazendo bem-

Harry Voice’s.

Eu sempre soube muito pouco da vida de Seunome, mas ela sempre me pareceu uma menina forte. Quando a reencontrei ela parecia uma mulher determinada, fria e que só se importava com o trabalho, mas agora depois de ouvir tudo o que ela me dizia ela parecia apenas uma garota frágil e sozinha. Fazia oito anos que eu não a via, mas eu não sabia de tudo isso que havia acontecido. Era algo que eu não poderia imaginar, acredito que era algo que ninguém poderia imaginar.

-Nunca imaginei que você estivesse tão sozinha.
-Isso é algo idiota, eu já não me importo, mas me conte onde passará o natal?
-Sozinho também, minha família não gosta muito de comemorar o natal e eu cansei de tentar unir eles, sempre que tentamos algo em algum feriado eles acabam brigando ou discutindo por assuntos idiotas.
-Uma pena –ela disse em tom meio triste– Mas você não tem uma namorada ou algo do tipo para te fazer companhia?
-Até tinha, mas acho que sou muito inocente – disse olhando pra frente enquanto caminhávamos–
-Como assim?
-Eu havia gostado de uma menina quando era mais novo, mas tentei esquecer ela, afinal era algo impossível. Eu acabei desistindo, ir a barzinhos e festas como gostava, sempre procurava alguém por ali, talvez fosse ali que eu encontraria o amor de minha vida – eu falei me lembrando – Foi em uma dessa noites que conheci ela, eu achei que ela gostava de mim também, fizemos vários planos para tudo, mas de repente tudo se acabou, eu cheguei na casa da mãe dela a procura dela, mas ela não estava. Eu sai andando achando que ela estava ocupada com outra coisa sobre trabalho ou sei lá o que, mas ela estava na praça, passeando de mãos dadas com outro cara.
-Poderia ser algum amigo ou primo muito próximo – ela disse tentando amenizar a história –
-Se fossem amigos, bem seriam amigos coloridos –eu ri– E bem, eu não sei quanto a você, mas eu não beijo meus primos, pelo menos não na boca.
-Nossa –ela arregalou um pouco os olhos– Deixa eu ver se eu entendi, você era... –ela vacilou em falar–
-Corno? Sim – assenti –
-Me desculpe falar, mas ela era vadia e burra -eu ri-
-Pensei o mesmo quando a vi com ele, bem eu tinha planejado o natal perfeito com ela, mas acho que não dá mais. –sorri fraco-
-Parece que nossos natais não são tão animados – ela suspirou-
-É... Eu acho que vou trabalhar nesse natal, para ver se consigo me distrair um pouco –eu falei por fim-
-Eu prefiro morrer de tédio em casa mesmo, natal nunca será animado para mim mesmo.

Continuamos a caminhar e Seunome me contava o quanto chato eram os últimos anos, de quanto o natal já não tinha graça, eu observava cada traço dela. Ela continuava a mesma menina de sempre, ela ainda era uma garotinha que sonhava com o sucesso. Ela sorria de forma diferente, me contou o porque de tentar a vida com medicina, contou como era ver pessoas sozinhas como ela todos os dias, me contou o por que de ter amado Meredith quando a viu. Eu não sabia por que, mas naquele momento tive a certeza que eu ainda era apaixonado por ela, mas não como antes, eu amo essa mulher, mas sei que nunca serei correspondido. Eu sentia uma vontade enorme de beijá-la ali mesmo, mas o que ela pensaria de mim ? Que eu era só mais um maluco, um lunático talvez. Afinal, eu entrei na justiça com ela para ver com quem ficaria Meredith, e que sentido teria se eu a beijasse? Ela mal sabe que eu sou apaixonado por ela a tanto tempo, por que tudo tem que ser tão difícil para mim?

-Como será que é o natal no abrigo onde Meredith está?
-Eu não sei, queria tanto que isso estivesse resolvido, queria dar um natal feliz a ela, e em compensação para mim também –eu disse e sorri torto-
-É, eu também –ela suspirou- Acho melhor eu ir, quero descansar um pouco. Tenho que checar umas coisas no hospital ainda antes de ir pra casa novamente e passar a noite de natal sozinha.
-Posso ao menos te levar em casa? –me ofereci-
-Claro, por que não –ela deu de ombros e caminhamos até meu carro-


Ela me indicou o caminho e fomos o caminho conversando, como se fossemos amigos de longa data. Parei o carro na frente do prédio dela, nos despedimos. Fiz meu caminho de volta para casa, e naquele imerso mar de pensamentos que minha cabeça se encontrava tive uma ideia. Claro que nunca contaria a Seunome, pelo menos não até ela saber. Eu não posso deixar ela ir novamente, eu não quero perder ela novamente.

4 comentários:

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