Apparently - Capítulo Trinta e Um - A conversa



- No capítulo anterior -

Estava andando no jardim da escola, era de madrugada e por sorte dois ou três inspetores não perceberam a minha presença. Tinha recebido uma ligação do Zayn, pedindo urgentemente para que eu o esperasse ali. Escutei a buzina de uma moto e virei para trás, sem motivos, e vi ele. Fui chegando mais perto para não ter que falar alto, e disse:

- Zayn, o que você está fazendo aqui? - Perguntava andando para ficar ainda mais perto, encostada na grade, enquanto ele tirava o seu capacete. Revelando olheiras, cara de choro e uma barba mal feita.

Zayn: Vim ver a Donna. E principalmente, vim ver você. Quero conversar contigo sobre a Claire, agora. Sobe na moto, que eu te explico.

- Zayn On -

Sentia suas mãos gélidas agarradas á minha cintura. O vento deixou seu cabelo assanhado, ela estava linda. Pedi que descesse e segurei sua mão nos encaminhando até as escadas. Morava agora em um prédio, numa rua bonita cheia de flores, quais eu sabia que ela adorava.

Você: Então, não vai começar a falar? - Ela perguntou se sentando no sofá, respirou fundo após observar o meu silêncio e andou pelo apartamento.

A decoração era simples: um sofá que consegui na promoção de uma loja de móveis, a tevê era do antigo dono; a cozinha possuía um frigobar, um microondas e uma mesinha de madeira; as paredes eram de cor bege; um banheiro com: vaso, chuveiro e pia; e o quarto possuía apenas uma cama com as minhas poucas roupas em uma mala antiga da minha mãe;

Enquanto ela observava o local com as mãos no bolso, me encostei na parede a observando. Poucas vezes á via esfregar suas mãos nos braços, numa tentativa útil de se aquecer.

Zayn: Acho que esqueci de te dizer que eu não tenho aquecedor. Está com muito frio?

Você: Nada que eu não possa suportar. - disse sorrindo, negando com a cabeça. - Então, o que queria me dizer?

Zayn: Senta aí. - "tá", ela respondeu. - Eu, eu estou numa situação meio difícil por aqui. Estou namorando com a Donna, e.. Ah, eu não consigo. - digo dando de ombros levando minhas mãos a cabeça. Alguma coisa sempre me travava. Ela veio em minha direção e me abraçou, bem apertado. Levou minha cabeça em direção ao seu pescoço e ficamos em silêncio por alguns minutos.

Você: Conte quando estiver pronto.

Zayn: Eu estou. - sentamos no sofá e retirei o meu casaco, assim como ela há alguns segundos. - Conheci Donna há alguns anos nas minhas férias de verão em Bradford. Era a vizinha da frente, a garota legal e simpática, bonita que todos os garotos do colégio queriam como namorada. Eu não era diferente. Tinha abandonado o colégio semanas antes e tinha planos futuros de me mudar para Londres o quão rápido pudesse pra seguir os meus sonhos. Claro que a minha mãe Trisha, não concordava. Era absurdo que um filho seu abandonasse os estudos no ensino médio pra virar cantor. Logo ela que sofreu tanto contra o preconceito por ter descendência paquistanesa, e por ser jovem demais com um filho nos seus braços. Brigamos no mesmo dia e decidi que sairia de casa. Andando por aí, encontrei Donna com seu cachorro numa rua deserta. Acabamos por conversar sobre o futuro e no fim das férias, ela iria para Londres, a capital. Acho que seria louco se eu não tivesse aceitado a oferta que me propôs: vir com ela. Só que tínhamos objetivos e destinos diferentes, ela pretendia ir á Londres atrás de estudos para uma vida longa, assim que se formasse na faculdade e arranjasse um emprego na área de medicina, traria sua família pra cá. Já eu, desejava seguir o meu sonho. Tentei convencer minha mãe á ideia, nada que adiantasse. Tentei fugir, mas fui pego. O problema é que durante essas férias juramos amor um ao outro sem perceber. Ela foi embora, nos dando muito tempo para partir nossos corações. E eu fiquei lá apenas observando o tempo passar, em meio á brigas e conflitos dentro da minha família.

Respirei fundo olhando para o teto, ela sentava com suas pernas entrelaçadas, com a cabeça apoiada em seu cotovelo, me observando. Deitei sobre suas pernas, aconchegando minha cabeça em sua barriga quentinha. Quando ela começou a bagunçar lentamente o meu cabelo, levei meu olhar ao teto pronto para continuar minha história.

Zayn: O tempo passa rápido demais, esperei por ela e ela nunca voltou. Todas as noites ia ao seu quintal e observava a janela do seu quarto por um arbusto onde nos escondíamos quando queríamos namorar. - digo dando um sorriso - Percebi que fui um iludido, não terminei a escola, vim pra cá e na minha primeira noite em um barzinho conheci Claire. Ela me acolheu em um chalé meio afastado da cidade, dizia que era dos seus pais. Com o tempo me acomodei naquele lugar, mesmo assim sentindo falta da minha família. Lembro que liguei pra eles no natal de 2010, foi a última vez que falei com eles. Eu estava triste, Claire estava com sua família e eu observava a neve pela janela da casa. Ficava pensando que minha companheira estava quentinha, recebendo presentes e não sendo a rebelde que ela adora fingir ser. Lembro que andei pela casa em busca de algo pra fazer, estava com fome e os restaurantes estavam fechados. Eu não sabia cozinhar e nem tinha dinheiro, muito menos algum meio de comunicação além da antiga tevê da sala. Por sorte, encontrei um telefone empoeirado e disquei os números que não saíam da minha cabeça. "Alô?", reconheci que seria minha mãe na linha. "Mãe, eu te amo", eu ficava repetindo e chorando. "Eu também te amo muito meu filho. Por favor, volta pra casa", "Não chora, me responde!", "Zain, você tá aí?". Ela ficava repetindo e eu apenas chorava de saudade. - dizia triste. - Comecei á escutar mais vozes, eram a minha família, eles estavam gritando por mim. Me queriam por perto, assim como eu á eles. Mas eu não podia desistir tão fácil. Não sei porquê, mas eu desliguei. Desde então nunca tive coragem de ligar pra eles, ou então nunca recebi um telefonema, uma carta, nada.

Você: Zayn.. - ela estava chorando, sempre me disseram que mulheres são o sexo frágil, e que homens não deveriam chorar. Eu sentia que devia. - Me abraça. - e eu á abracei, eu precisava disso.

Zayn: Ano passado, nossos destinos se cruzaram, encontrei Donna quando levei Claire ao colégio uma única vez. Começamos a conversar novamente e eu á pedi em namoro. Estamos namorando. - digo dando de ombros. - Mas eu sinto que não é de verdade, eu á namoro porque me ligo ao passado que eu nunca quis esquecer. 

Enfim calei a boca e juntos respiramos fundo. Há tempos queria desabafar com alguém, não tinha muitos amigos homens que fossem pessoas honestas ou de respeito, ela era a minha claridade.

Botei pra fu*** com esse capítulo.
Aceito pedidos de One Shot's galerinha!
Hanna Ashley :)

12 comentários:

  1. muuito bom e fofo
    continua!!

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    1. Também achei fofinho! Guardei toda a minha fofurice e coloquei nesse capítulo ^.^

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  2. Muiiito liiindo e fofo.
    Amei!!!
    Continua liiinda <333

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    1. Aaa, sou linda :D ! Daqui á alguns dias tem capítulo novo, gatona!

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  3. Muito fofo!!
    Continuaa ta perfeito!! :)
    Xx Karol

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    1. Vocês que são perfeitas! Eu tinha ido tomar vacina e fiquei toda triste, só vocês pra conseguir me alegrar.

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  4. Continuaaa *--*
    Xoxo Fran.

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  5. Continua,eu semprem achei o Boy da Fic era com o Harry (sei que nao to falando do capítulo).
    Divo o capi chorei

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    1. Osh, sério? Pois eu também, na parte em que ele fala sobre a família que não retornou. Acho que nós estamos de TPM ;D ! Amore, ela ainda vai rodar nos braços de muita gente! <<<<<<<<<<< SPOILER AQUI!

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  6. Pfv continua ta perfeita
    XxJessykaxX

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  7. Pfv continua ta perfeita
    XxJessykaxX

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